“Sou a contradição da bancada evangélica”, diz pastora transgênero candidata a deputada

SÃO PAULO, 26 Set (Reuters) – Pastora evangélica e candidata a deputada estadual, Alexya poderia muito bem sentar-se junto à ala mais conservadora da Assembleia Legislativa de São Paulo se conquistar uma cadeira nas eleições de outubro, não fosse o fato de levantar bandeiras que jamais serão empunhadas pelos membros da bancada mais conservadora e religiosa da Casa.

Mulher transgênero e negra, Alexya Salvador é pastora da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), uma igreja “verdadeiramente inclusiva”, segundo ela. Ligada à religião desde criança, Alexya tentará agora se eleger deputada estadual pelo PSOL, partido que apresentou o nome de Guilherme Boulos para concorrer ao Palácio do Planalto.

“Uma coisa é certa: eu sou a contradição da bancada evangélica, tanto na Alesp quanto em Brasília. Eu sou a oposição”, afirma a pastora.

A candidatura não é exatamente a estreia dela na vida política, explica. “Eu dizia que nunca ia me envolver com política, não dessa forma. Hoje eu entendo que, sendo ou não candidata, já sou uma mulher política, a minha vida é um ato político”, diz Alexya, referindo-se à sua militância como LGBT e negra.

A pastora, que também é professora da rede municipal, diz sofrer preconceito dentro e fora da religião. Dentro, a discriminação vem inclusive de outras igrejas que se denominam “inclusivas”, afirma. “Me dói dizer isso, mas é verdade.”

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