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Menina transgênero de Jaboatão é adotada por família com mãe trans

Casal de Mairiporã (SP) e a criança se encontraram através do trabalho da Coordenadoria da Infância e Juventude do Estado (CIJ) e da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) de Pernambuco, através do programa ‘Busca Ativa’

Alice é uma menina recifense de dez anos que conquistou o que toda criança merece: um lar com amor, carinho e acolhimento. Além disso, a criança ganhou também o direito de ser quem quiser, a partir da compreensão do seu sentimento de inadequação em relação ao gênero.

A história do encontro entre ela e os pais adotivos, Alexya Lycas Evangelista e Roberto Salvador Junior, ganha contornos ainda mais especiais pelo fato de Alice ser uma menina trans de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife, adotada por um casal paulista composto por uma mulher também trans.

A adoção foi concedida pela juíza Christiana Caribé, da Vara da Infância e Juventude de Jaboatão. A sentença também autorizou a mudança do prenome masculino para o feminino no documento de certidão de nascimento. Alexya e Roberto, os pais, comemoram a decisão.

“Para nós, é um momento de alegria, porque se concretiza um sonho. Ainda mais por ela poder ter uma nova certidão com o prenome retificado e a identidade de gênero também. Saber que ela nunca vai passar pelo o que eu passo, pois meu prenome de registro civil ainda é masculino. Ela nunca vai sofrer transfobia nesse sentido”, ressaltou Alexya.

A criança vivia no Lar de Maria, uma casa de acolhimento no município. Antes de ser adotada, Alice vestia-se como um menino, mas sempre se identificou como menina.

O estágio de convivência entre ela e a nova família começou em setembro de 2016, quando a criança embarcou com os pais para Mairiporã, em São Paulo. Antes disso, Alice viveu por um ano e meio no Lar de Maria, em Jaboatão. O primeiro encontro presencial foi na casa de acolhimento de Jaboatão, no dia 22 de setembro do ano passado.

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“Sempre quis ser mãe”: pastora trans adota criança também trans

Falar de religião é um tabu para muitas pessoas LGBT. Devido a um história de perseguição, são muitos que acabam se afastando da igreja. Mas e quando há uma igreja onde prega uma pastora trans?

Alexya Salvador é, além de  pastora trans , mãe. E mãe de uma garota também trans. Sua história é inspiradora para toda a comunidade LGBT e mostra que religião é sobre amor ao próximo, e não ódio.

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Alexya Salvador: De mãe para filha

“Hoje, eu sei que a minha filha vai poder fazer o que eu não pude quando era uma criança na década de 80. Ela vai crescer sendo ela mesma sem ter que se esconder”, explicou a pastora e professora de 36 anos, Alexya Salvador, sobre sua filha Ana Maria Salvador, uma garota transgênero de apenas 10 anos, que hoje vive no município de Mairiporã, região metropolitana de São Paulo.

Criada por uma família muito amorosa e unida, Alexya sempre sonhou ter uma casa cheia de filhos. Apesar de acreditar que nunca alcançaria seu desejo de ser mãe um dia, ela e o marido, o servidor público Roberto Salvador, conversaram e decidiram tentar. Foi então que há dois anos, encontraram o seu primeiro filho, Gabriel, um garoto com necessidades especiais e totalmente fora dos padrões de adoção. “Quando chegamos, trouxeram os menininhos branquinhos, de olhos verdes para vermos. Mas então vimos o Gabriel no cantinho separado. Eu e o Roberto nos olhamos e sentimos na mesma hora: aquele é o nosso filho”, lembra a mãe emocionada.

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ALEXYA SALVADOR E A MATERNIDADE POR VOCAÇÃO

Alexya Salvador, professora e pastora da Igreja da Comunidade Metropolitana, nasceu e foi criada em Mairiporã, uma cidade da região metropolitana de São Paulo, mas que conserva traços de uma típica cidade interiorana. Em sua infância, ela não imaginava os rumos que sua vida tomaria no futuro, iniciando sua transição de gênero apenas mais tarde, com 28 anos. Dentre as inúmeras batalhas para se afirmar enquanto mulher numa sociedade que impõe uma série de padrões ao gênero feminino, Alexya também tinha o desejo de ser mãe, mas sabia que realizar esse sonho não seria fácil e exigiria dela novos enfrentamentos com o conservadorismo e preconceitos alheios. Inúmeras mães adotam os seus filhos, inúmeras mães não possuem útero, e muitas pessoas que não querem ser mães são obrigadas a gerar pela impossibilidade de fazer um aborto e abandonam a criança logo após o nascimento. Dizer que mães são apenas as pessoas que geram um novo ser, além de ser uma afirmação reducionista, também é preconceito. Se contrapondo a essa visão biologicista e capacitista, Alexya rebate: “Eu acho que maternidade não é uma condição da mulher em si, acho que a maternidade é uma escolha, é uma vocação, não é toda mulher que tem vocação para ser mãe como não é toda mulher que tem vocação para ser professora”. Eu fui criada para não ser mãe, a biologia disse que eu não seria mãe, a religião disse que eu não seria mãe, a minha família disse que eu não seria mãe e para todos esses elementos eu disse ‘Não, eu vou ser mãe sim!’ e hoje tem um papel que diz lá que eu sou a mãe da Ana Maria e que eu sou a mãe do Gabriel, eu sou mãe, por escolha.

Gestação Diferenciada

As mães que adotam seus filhos também passam por processos que se assemelham à espera e preparação do período de gestação de um bebê, segundo Alexya. No caso das mulheres trans, esses procedimentos são ainda mais angustiantes devido a todas as dificuldades burocráticas impostas aos LGBTs para realizar a adoção. Para ser habilitada no Cadastro Nacional de Adoção, Alexya conta que a psicóloga que a atendeu pediu que ela retornasse para uma segunda consulta e disse: “Eu preciso entender, porque tem 20 e poucos anos que eu entrevisto casais pretendentes à adoção e é a primeira vez que uma mulher trans senta na minha cadeira”. Perplexa com a incerteza da psicóloga, ela respondeu: “Doutora, o que você quer ouvir de mim? Eu já respondi tudo o que você me perguntou, eu quero ser mãe, eu quero ter o meu filho, eu quero formar a minha família, eu não tenho algo novo para te falar”. Apesar das exigências excepcionais, a pastora conseguiu sua permissão para adotar, passando para uma nova etapa de espera. Gabriel, o primeiro filho que adotou com Roberto, seu marido, veio de um abrigo de Mairiporã e seu processo de adoção demorou quase um ano. Sobre esse período, ela fala: “é uma gestação, porque você prepara o quarto, monta um enxoval, conta para as pessoas que está grávida. É uma gravidez, mas de repente uma gravidez não nos padrões que a cisgeneridade entende”.

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